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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

vou de baike...

 v  amos?

                                       

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parte 1

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  vou de baike... v amos?                                                                  



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sábado, 8 de setembro de 2012

O GOVERNADOR BETO RICHA AMEAÇA CURITIBA



No segundo dia como morador de Curitiba, enquanto ainda estava no vai e vem entre instalações de luz, de gás e outras práticolaridades de um novo lar, estava mesmo chegando na nova casa quando dois homens vestidos de preto numa moto me abordam... Nos cumprimentamos enquanto eles tiravam o capacete, “Você já tem vigia aqui em sua casa?” Olhei para a placa que estava colada no muro e disse que a ex-moradora da casa tinha tal empresa de segurança e que não sabia como estava esta questão, que teria que ligar pra ela e ver se aquela empresa de vigilância ainda viria “vigiar” a casa. Também disse que poderia não ser necessário tal serviço... “Ah, mas aqui é perigoso... Vocês tem carro?” O outro rapaz que estava na moto respondeu antes de mim que “Não, eles não tem carro, já conversei antes com a esposa...”; “Não, não temos carros e...”, respondi eu já começando a entender a natureza daquela visita; “A casa é alugada ou comprada?”; “Nem um nem outro, estamos comprando, a casa ainda é do banco.”; “Ah, entendo... mas veja lá como está isso com a ex-moradora, fique com nosso cartão.”; “Então vou ver com ela... mas acho que não vamos precisar...”, ainda tentei dar uma de joão sem braço. “Ah, mas sua esposa pode um dia chegar em casa sozinha, andando pela rua sozinha pode ser perigoso, nós só cobramos 30 reais por mês...”; “Entendo...” As poucas falas que se seguiram não são importantes. Ficou acertado que voltariam em um mês, para que eu tivesse tempo de conversar com a ex-dona da casa e resolver sobre a antiga “vigilância” do bairro. Ligaram a moto e saíram tão rápido como apareceram. E lá fiquei eu com um número de telefone na mão e uma ameaça na cabeça. Enquanto ouvia o ruído da moto se afastando, algumas palavras invadiam... “Ameaça! Extorsão! Chantagem!”

Este acontecido já tem mais de ano e pagamos 30 reais todo dia 5 ao motoqueiro que passa as madrugadas a andar de moto pelos bairros residenciais, rasgando acelerado a silenciosa madrugada do Boa Vista, buzinando sua vigilante abusiva buzininha na frente de cada casa que tenha a placa de sua empresa. Pedimos para que não buzine na frente de nossa casa, mas parece que nossos vizinhos não entendem a situação como eu, e pedem para buzinar sim, sim, buzinar o alarme da moto barulhenta que passa duas, três, quatros horas da manhã... e assim escutamos de longe e de perto, até dentro de nossos sonhos, aquela buzininha vigilante que insiste em punir.

Por quê contar esta história? Porque ao ver uma propaganda das eleições municipais deste ano novamente fui invadido pelas mesmas palavras; “Ameaça! Extorsão! Chantagem!” Desta vez sinto-me menos isolado enquanto vítima desta sociedade, pois a extorsão vem camuflada de um fulguroso sorriso fotoshop, laquê pra cabelos e com o título de governador do Paraná. Todo aquele mal estar das pessoas que se sentem reféns de certas práticas perversas porém toleradas pela maioria em nossa sociedade voltou a aflorar em meu coração quando vi a propaganda reeleitoreira do prefeito de Curitiba Luciano Ducci apoiada pelo governador do Paraná Beto Richa. Beto Richa diz que “O Paraná está com Luciano”, “Curitiba não pode parar” e outras falas desse teor de envolvimento e assim o governador do Paraná aparece em fotos e em programas ameaçando os curitibanos e sabe-se lá quantos outros cidadãos Paraná afora e adentro. Quer dizer então que se Luciano Ducci não se reeleger o Paraná não estará com Curitiba? É essa mensagem que você quer passar Beto Richa?


Nossos governantes dos bens públicos são injustos abertamente, como é o caso de Beto Richa que finge não se dar conta de sua injustiça com os eleitores curitibanos... Todos sabemos que gente como ele é ainda mais injusta em segredo e usa a estrutura pública, que é uma construção de décadas, a seus favores particulares imediatos. Essa gente é a nova monarquia que aqui se instalou e precisa ser reformada. O voto nulo é a única forma de reformar os privilégios tolerados pela sociedade. Quem se candidata a um cargo público não pode contar com altos salários e privilégios imperiais. Esta condição de privilégios precisa mudar para que gente honesta possa concorrer aos cargos públicos e ter uma remuneração compatível com as demais funções da cidade! De acordo com o Artigo 224 do Código Eleitoral Brasileiro:

“Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições
presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições
municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova
eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.

        § 1º Se o Tribunal Regional na área de sua competência, deixar de cumprir o disposto
neste artigo, o Procurador Regional levará o fato ao conhecimento do Procurador Geral, que
providenciará junto ao Tribunal Superior para que seja marcada imediatamente nova eleição.

        § 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público
promoverá, imediatamente a punição dos culpados.”



SOMOS PELA PAZ E PELA REFORMA PACÍFICA ATRAVÉS DO VOTO NULO E CANCELAMENTO DAS ELEIÇÕES ATÉ O FIM DOS PRIVILÉGIOS!!!

CHUTE AS PLACAS OU VIRE AS PLACAS DE PROPAGANDA ELEITORAL AO CONTRÁRIO
E ESCREVA SUA MENSAGEM!!!
                                                                                                                     

leandro gaertner
08 de setembro de 2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

um diálogo possível


 

por Hermès Jardin






                               ...caminhando pelas colunatas da Praça São Pedro em Roma...


Alumno – Professor, você acredita em Deus?

Teólogo – Não no seu Deus.

Alumno – Como assim?

Teólogo – Acredito nele tanto quanto ele em mim.

Alumno – Ainda não entendi.

Teólogo – Você sente que fazemos parte de algo infinito, para além de nossas palavras, que fazemos parte de um sublime que toca nossa própria existência?

Alumno – Sim.

Teólogo – Então, eu também. E pelo visto todos os seres humanos carregam esta profunda sensação.

Alumno – Ora, mas então você acredita em Deus...

Teólogo – Sim, mas prefiro a palavra “sentir” em vez da palavra “acreditar”.

Alumno – ...Mmmm, entendo...

Teólogo – Sinto o sublime de existir e levanto os olhos maravilhado perante o infinito que nos possibilitou sentir a luz do Sol. Mas não poderia sentir integralmente a sua concepção do divino. Não poderia assimilar toda a complexidade desta profunda sensação que você constrói desde a barriga de sua mãe. É óbvio que existimos e a vida que nos aquece é algo da ordem do grandioso e do infinitamente complexo. E que só podemos ter algumas respostas se fizermos as perguntas certas. Quando falamos de Deus, estamos falando de poesia pura, de sensações íntimas e difíceis de serem compartilhadas. Quando sinto o divino já estou na Arte. A Arte é o sublime humano. Não poderia sentir o Deus, ou os Deuses ensinados e explicados por nenhuma das religiões, pois são ensinados como Verdades... mas não passam de verdades elaboradas por outras pessoas. A sensação compartilhada humana do Sublime, do Infinito, do Divino não precisa passar por uma instituição de Homens.

Alumno – Mas então, como as pessoas rezam para Deus?

Teólogo – Rezam porque isso lhes faz bem... Isso precisa ser respeitado, é um símbolo de comunidade em paz entre si. Porém com certeza estas orações não se dirigem a um Deus comum, pois cada indivíduo ali constrói na sua imaginação a sua própria concepção de divindade, de sublime, de infinitude, de eternidade.

Alumno – Ah tá... acho que entendi algumas coisas. Também acho que a reza tem que respeitar.

Teólogo – Mas é claro que sim! A reza é uma conquista humana. Reflexões e mais reflexões podem ser tecidas sobre esta prática tão humana que é rezar. Acho que quando pensamos com força numa pessoa, num sonho, num problema, numa vitória... já estamos rezando. Por exemplo: nossa preocupação com alguém doente. Essa preocupação que é profunda leva-nos a pensar de um tudo para que o doente melhore. Acho que isso já é rezar. Por isso rezar é uma conquista humana, por isso que todos rezam, porque faz bem. Rezar é pensar sobre algo específico com toda nossa “concentrasensações”, com o mais profundo envolvimento e amor. Rezar é oralizar internamente, é uma fala nossa, com nossas palavras, nossa gramática.  Deus está na gramática.  Deus é “além gramática”, já diria Irmã Ana. Deus igual linguagem.

Alumno – Então cada um deve fazer a sua reza?

Teólogo – Sim, acho que a reza pode ser descrita também como um emaranhado individual de pensamentos, um emaranhado difícil de pôr em palavras não poéticas, talvez somente trazido à superfície do outro pelo sussurro das musas.

Alumno –Sim, mas e quando as pessoas rezam em grupo? Como fazem?

 Teólogo – Elas têm outras pessoas e coisas em comum. Quando nos concentramos em comunidade sobre um problema pode ser muito bom. Lembro da reza que acontecia no fim das reuniões familiares lá em casa: sempre que tinha alguém doente, ou alguém em viagem, ou alguém muito feliz que queria dividir felicidade, antes de rezar a oração do Pai Nosso, conversávamos essas dores, ansiedades e alegrias comuns, de mãos dadas. Isso era lindo... Pra mim essa reza é a grande conquista humana.

Alumno – E por quê depois da reza ainda tem mais uma oração decorada, o Pai Nosso?

Teólogo – Porque são palavras que remetem a um mito antigo específico e servem para que as pessoas recitem juntas. Durante este curto momento, enquanto recitam a oração, as pessoas são livres para fazerem suas rezas individuais ou coletivas, ou então também podem se concentrar no vocabulário mitológico da oração e fazer relações metafóricas que signifiquem algo em suas próprias vidas. Podemos também enxergar estas palavras da oração em comum como não mitológicas e fazermos relações diretas com nossas experiências. Posso sem dificuldades imaginar que o “Pai”, da oração “Pai Nosso”, pode ser a própria Humanidade idealizada e que ainda não conseguimos viver. Se pensarmos que até agora Humanidade ainda não aconteceu de fato e estamos num longo ensaio, provavelmente um ensaio que dure tanto quanto a existência dos homens e mulheres. Quem sabe?

Alumno – Mas também é válido rezar assim? Mesmo tendo que negociar com um mito?

Teólogo – Negociar com o mito! Taí uma expressão que vou adotar! Um mito é aberto e pode ser lido poeticamente das formas mais variadas, afinal nossa imaginação infinita... É natural que cada indivíduo negocie com o mito. Então, a oração ao mito é uma conversa com o mito. O mito se transforma em real para muitas pessoas e elas negociam suas vidas com esta figura exterior em forma de homem, de mulher, de pássaro, energia ou tudo que nossa imaginação crie, a partir das metáforas presentes na oração, ou em outros textos sagrados que fazem sentidos em suas vidas. Respondendo a sua pergunta: deixo a negociação com o mito para os sonhos, onde também posso voar e saltar grandes alturas... Aqui, mantenho os pés no chão com meus pensamentos desta conversa, desta reza, deste pensamento, um belo monólogo do uno múltiplo que tento compartilhar poeticamente.

Alumno – He he, então quer dizer que não tem ninguém ouvindo e contando os Pai Nossos?

Teólogo – Pois é, não, não tem ninguém exterior a você controlando suas or’ações. Nós rezamos para nós mesmos, pensamos naqueles que vivem em nossa memória, nos juntamos com mais pessoas e desejamos coisas em comum para a nossa comunidade, assim rezamos aos conhecidos e aos anônimos desconhecidos. Tudo acontece aqui e agora, por nós mesmos, para nós mesmos e para os futuros humanos; é esta união que nos faz humanos e prolonga nossa existência enquanto indivíduos e nossa permanência enquanto espécie.  Acho que todas as pessoas pressentem isso de um jeito ou de outro e por isso a coisa toda ainda está aí... E não o contrário, como quando dizem que a natureza humana pressente o sublime através de uma única concepção do divino, aquela do monoteísmo clássico.

Alumno – Espere aí! Agora a coisa tá ficando técnica... Monoteísmo clássico?...   

Teólogo – É isso aí, parece técnico porque estamos a falar da densidade das culturas humanas. Neste ponto de nossa conversa já estamos usando o jeans surrado dos pensadores contemporâneos... A humanidade sempre foi e sempre será múltipla, sempre tão diferente entre si e ainda assim, tão irmanada.  Somos filhos do Cosmos e conosco ele consciente de si, pois somos criaturas conscientes, seres raros que sabem que existem e que também sabem que irão desaparecer. Seres únicos, curiosos e que querem saber das estrelas e da vida. Tudo é raro.

Alumno – Me explique esse negócio do monoteísmo...

Teólogo – Antes de falar desta palavra “monoteísmo”, acho necessário usarmos um pouco da imaginação. Você consegue imaginar-se negociando a sorte com uma série de divindades associadas aos fenômenos da natureza?

Alumno – Sim, consigo imaginar.

Teólogo – Pois imagine então um indivíduo na distante era das bigas, das pequenas embarcações no Mediterrâneo, das túnicas em algodão cru, dialogando sua vida com deuses impessoais, que se relacionam com o humano mortal através das ondas do mar, dos ventos, dos eclipses... Deuses com poder o suficiente para naufragar um navio ou encantar um homem. Esta sociedade promove rituais, ascende velas, sacrifica animais, comemora o dia mais longo do ano com festejos, alguns destes rituais certamente como forma de dialogar com as imprevisíveis Divindades Imortais, que estão lá, ora a nosso favor, ora contra nós. Ora nos manda água demais, ora frio demais, ora sol de mais, volta e meia cai um raio em alguém e assim vai.

Alumno – Entendo...

Teólogo – E agora pense na voz que o seu próprio pensamento produz.

Alumno – Certo... estou pensando e pensando ao mesmo tempo na “voz” produzida em minha cabeça... no caso o que deve ser o meu próprio pensamento...

Risos

Teólogo – Sim, sim, é claro. Agora preste atenção nos pensamentos, ou melhor dizendo, fique atento à sequência de pensamentos que nos atravessa por segundo...-.... Não é uma confusão?

Alumno – ...É sim, tenho muitas ideias o tempo todo... Basta virar o olhar, basta piscar, sentir as luzes da sala, basta atentar ao cão que late numa outra casa, ao marceneiro batendo o martelo, ao trem que pode passar a qualquer hora, além dos pensamentos que nem chegam a se tornarem som, imagem ou cheiro... Olha aí, olha aí, olha aí, meus pensamentos não param.

Teólogo – O de ninguém para meu caro. Somos todos poetas. Nossa percepção é uma janela do universo. Tudo pode acontecer dentro de nós.

Alumno – Claro! Somos potência pura!

Teólogo – Voilà! Sim, respiramos o mesmo ar fresco de Zaratustra!  Agora imagine mais um momento da trajetória humana; um momento onde as pessoas começam a entender estas divindades ligadas ao mundo natural como distantes, desconectadas e impessoais demais. Chega de Apolo, de Júpiter, de Atenas, de Posseidon, de Thor, de Uruk... esses deuses não sabem o que se passa no meu coração. Não devemos mais ficar à mercê de seus caprichos imortais, nós somos senhores de nossa jornada. Eu sei o que devo fazer, basta ouvir minha intuição, minha voz interior. Você pode imaginar isso?

Alumno – Mmmm... acho que sim. É meio estranho, pois, não sei...  mas, parece que já vivo meio assim. Também me acho dono de meu destino e à mercê do acaso.

Teólogo – Nós transformamos o acaso e o acaso nos transforma. Infelizmente, a nossa perda de liberdade pode também fazer parte do acaso. Fazemos sim nosso destino, porém estamos inexoravelmente conectados à nossa época e ao lugar onde vivemos; o devir será sempre uma incógnita, pois são infinitos fatores brilhando na escuridão.

Alumno – Tenso...

Teólogo – Sim, eu sei. Não é fácil topar o tempo. Também não é fácil topar o fim de nossa consciência. Não é pouca cousa ser habitado linguagem e acaso, a complexa química humana. A “Química sem fórmula”, já diria Dona Sancha. Só restarão sinais de nossa passagem. Todos deixam sinais, mesmo os que nunca nasceram.

Alumno – E o monoteísmo? Onde entra nessa história?

Teólogo – Então, os monoteístas clássicos são pessoas que foram educadas desde o berço a conversarem com uma divindade única, primordial e derradeira, que consegue se comunicar com todos os seres do universo. O monoteísta foi ensinado a conversar com Deus: e assim se criou o Deus pessoal. Todas as rezas, pedidos e sobretudo todo o nosso temor é dirigido a Ele, que de tão poderoso fala dentro do nosso pensamento. Houve uma época em que essa percepção do divino foi ganhando forma através da invenção de novas palavras, dentre elas a existência de um Deus que tudo vê, tudo ouve, tudo sabe, tudo julga e pode perdoar. Não passava de uma seita ainda mal compreendida. Aos poucos foi ganhando corpo e símbolo, vocabulário e cada vez mais pessoas se identificavam com as possibilidades de existência na companhia deste Deus guia, amigo confessor e juíz. Este novo Deus e suas criaturas tinham uma relação de diálogo permanente, apaixonada, íntima, mútua enquanto a raça humana e a raça dos deuses pagãos, que viviam sobretudo para eles mesmos, mantinham as relações, por assim dizer, internacionais, contratuais e ocasionais, palavras de Paul Veyne que muito bem traduzem aquele zeitgeist para os dias de hoje.

Alumno – Uau! Que complicado! Se monoteísmo se refere a uma divindade, então várias divindades, como é o caso dos deuses pagãos, pode chamar-se politeísmo?

Teólogo – Isto mesmo, politeísta é o nome que damos a uma sociedade onde predominam indivíduos que mantem uma relação existencial com diversos deuses impessoais de origens, funções, nomes e mitos dos mais poéticos. Esses deuses agem de forma imprevisível e misteriosa, sempre caprichosos e raramente se dirigem a um mortal em específico.  Monoteísta é o nome que damos a uma sociedade onde predominam indivíduos que mantem uma relação existencial com uma Verdade suprema, uma força única que é a eternidade, sem começo e sem fim, de ligação permanente e total com todas as criaturas do Universo. Este Deus Criador conversa de maneira clara com você, você entende tudo o que Ele diz e Ele sabe tudo o que você pensa. E Esta é a garantia da vida eterna a quem Nisto acreditar. Esta é a lógica de pelo menos três grandes instituições humanas, a Igreja Judaica, a Igreja Cristã e a Igreja Islâmica, todas a pleno vapor ainda hoje.                

Alumno – Conheço. Mas que coisa... Será porque estas religiões foram inventadas?

Teólogo – Olha, taí mais uma boa pergunta; tem livro falando nisso que não acaba mais. Tentando explicar a grosso modo... acho que em algum  momento, alguns momentos, acho que em torno do ano 300 antes da era comum na região do Mediterrâneo, percebeu-se que esta história de ouvir seu próprio deus pode ser bastante conveniente... Vamos imaginar como pode ter raciocinado um prega’dor cristão do século 4: “Se este deus pode ser ouvido por um indivíduo, então pode ser ouvido e também percebido por todos, pois é um deus individual. Por quê não transmitir uma mensagem divina comum já que estou aqui nesta tribuna falando para dezenas de crentes em mim e que ainda  acreditam que o meu Deus é o mesmo deles?”  Os primeiros pro’pagadores eram idealistas e logo tornaram-se figuras icônicas, apoiando e uniformizando cada vez mais seu discurso em sagradas escrituras, que tradicionalmente eram usadas ao bel prazer metáfora e fantasia, de acordo com os interesses locais . Ao longo dos séculos, estas instituições monoteístas têm se mostrado organizações de controle social, através de mitos construídos ou adaptados de culturas mais antigas e ensinadas como Verdade através de métodos de coação, ameaça, terror psicológico, controle moral e promessa de uma vida eterna e consciente depois da morte. As Igrejas foram também hierarquizando-se e organizando-se e vão funcionando e brigando entre si e por si até os dias de hoje. Ainda hoje existem núcleos que estimulam atos de crueldade e violência entre humanos, em nome da moral, da salvação, da vida eterna e, por incrível que pareça, de uma etnia.... Veja por exemplo os sionistas, indivíduos que ainda se reconhecem como “judeus com direito divino sobre determinado espaço de terra”, um “povo eleito” e carregam consigo o terrível meme da segregação étnica. Os fatos históricos nos mostram judeus “judiados” desde o fim do século XIX na Europa eugenista e que foram fugindo e ocupando a Palestina como se lá não houvesse ninguém e logo depois, hoje, com a invenção de Israel e financiados pelos governos dos EUA, reproduzem completamente desumanizados as mesmas atrocidades cometidas pelo zeitgeist de que seus avós foram vítimas, intolerantes com a presença dos nativos palestinos laicos, cristãos e muçulmanos, destruindo suas casas, arrasando famílias, humilhando existências e matando crianças em pleno ano 2000! É evidente que para isso ocorrer, a maioria destes “colonos judeus” também foi enganada e não enxerga o que acontece fora das muralhas de seus assentamentos. Estes judeus são como nós não judeus, consumidores... A mídia ainda camufla tudo como se este fosse um conflito menor e antigo, como algo ainda relacionado à bíblia...  mas não é! É contemporâneo, tem a ver com a indústria das armas e com o interesse geo-político das corporações globais... De uma crueldade absoluta... Uma situação tão insuportável ao ponto de gerar o fenômeno do suicídio infantil entre os palestinos... Uma tristeza insuportável de carregarmos em silêncio!

Alumno – Mas que tristeza, que horror... Professor, então é claro que nenhuma destas religiões seria necessária...

Teólogo – É meu caro jovem... É mais complicado falar de “necessário” ou “desnecessário” quando pensamos a História vista do presente para o passado. Uma das funções da História é historicizar o próprio presente. É fato que a fé das pessoas continua sendo manipulada para interesses específicos. Mas também é fato que as culturas do planeta agora já têm a chance de se conhecerem. O conhecimento humano acumulado de milhares de anos está disponível nas pessoas, nos livros e na internet livre. Não faz sentido alguém se submeter ao controle moral. Ninguém precisa de intermediário pra chegar ao sublime tocar di vino existência. Os mitos das antigas religiões monoteístas agora são antigos, com seus sentidos revirados e manipulados. Nenhum dos profetas adorados por estas religiões aprovaria a violência e intolerância em nome de Deus. Quem se enxerga cristão, muçulmano ou judeu não pode ser ingênuo ao ponto de pensar que todos do seu grupo elaboram o mesmo sentimento do divino.                            
I n f i n i t a s   i m p r e s s õ e s    d i g i t a i s , i n f i n i t a s   i m p r e s s õ e s    d i v i n a i s.

Alumno – Pois é... minha mãe vai todos os domingos na missa da Igreja Católica... deveria falar pra ela não ir mais?

Teólogo – Claro que não, não temos este direito... Só ela pode decidir se vai ou não à missa. Cada um ausculta o seu divino e por isso acho urgente que novos vocabulários variadas maneiras de pensar a existência e nossa relação com o Universo entrem nas salas de aula, sejam apresentadas já às crianças. Ensinar que o que nos une é nosso devir humano, nossa contemporaneidade, nossa consciência de finitude, nosso infinito jogo com a linguagem. Sua mãe sente tudo de maneira única no Universo. Cada um de nós sente de maneira única no Universo! Não podemos interferir nas decisões de ninguém de se ajoelhar perante um símbolo, de lançar flores ao mar ou de fazer o sinal da cruz quando passa por um templo religioso, mas é importante dar chance às crianças de entrar em contato com um vocabulário ampliado, para além da antiga mitologia.

Alumno – Concordo. Temos que atualizar as crianças ao conhecimento do nosso tempo e não restringir esta enorme potência da curiosidade humana, que fica escrachada na infância. Não podemos explicar o sublime, o infinito, a vida e a morte com tão poucas palavras.

Teólogo – Sim! E como é frágil este conhecimento. Até mesmo a Humanidade é uma ideia construída e ainda em obras. Enxergo o conhecimento humano como uma tênue chama que é passada de mão em mão através dos tempos, às vezes guardada por tão poucas mãos que quase desaparece, às vezes por mãos tão geladas que quase apaga...

Alumno – Ui... quantos já foram queimados por tentarem manter esta chama acesa... Mas professor, e hoje? Alguns dizem que o consumismo é o novo deus da humanidade...

Teólogo –Olha aí, faz todo sentido visto que parece valer tudo em nome do lucro, para poder consumir mais poder consumir mais poder... Quantos códigos éticos humanos, nas esferas individuais e políticas, são violados diariamente no mundo todo devido à cultura do lucro a todo custo?

Alumno – Ai... dá até uma dor no coração...  Aí é bucha!

Teólogo – Aí é lasca!

Alumno – Professor, diz aí, o que você acha importante para a humanidade?

Teólogo – Acho, dentre tantas coisas, importante se indignar com o sistema global de mercado enquanto houver gente passando fome. Também precisamos continuar andando no conhecimento, principalmente na filosofia, para construirmos uma nova forma de organização comunitária, trocando a competição pela cooperação. É importante sempre arejarmos nosso vocabulário com novas palavras e expressões, pois somos o que temos de vocabulário e nossa explicação do mundo, dos mundos, é nosso vocabulário. Tenho prestado muita atenção às palavras que me circulam, naquelas que ouço, que penso, que falo, naquelas palavras que ainda não ouvi, ainda não conheço, naquelas palavras que nunca conhecerei. É importante ampliarmos nosso vocabulário, pois são as palavras e seu uso que nos constituem. Temos que ir pra literatura poesia prosa romance conto causo canção remendo repente rimado rap hip hop rumba choro coro e jazz minha nossa infinita imaginação. A verdade maior é o próprio corpo, o resto a gente inventa, já diria Dona Sancha. Vivo atravessado com o infinito no peito. Vivamos na potência de nossa única existência. Cada ser é único e habitado por seu próprio infinito, infinitas impressões digitais-infinitas impressões divinais, somos singulares enquanto multiespelho do cosmos e como espécie social finita: PRECISAMOS RESPEITAR AS ESCOLHAS INDIVIDUAIS E NOS PREOCUPARMOS NA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE SEM A CRUEL DESIGUALDADE ENTRE ESTES INDIVÍDUOS! Meu caro alumno, apesar de achar sua pergunta muito bem-vinda, diz o sábio Zigmunt Bauman que a questão de urgência hoje não é somente discutir os tipos de mudança que a sociedade contemporânea poderia fazer, mas sim “quem vai fazer esta mudança”. As boas ideias são muitas e já vem de longe no tempo, temos boas pistas que passam necessariamente pela i g u a l d a d e & s o l i d a r i e d a d e , mas não temos um modelo de funcionamento de sociedade infalível.

Alumno – É... quando tratamos de deus, deuses, Deus, tudo neste domínio é sempre muito sensível. As pessoas se doem, se magoam, se sentem atacadas no que tem de melhor e mais puro...

Teólogo – Sim, você tem razão. Este assunto sempre toca pessoas no lugar mais escondido, sempre incomoda, faz pensar e questionar. Quando falamos dos mitos, afetos poéticos são trazidos à tona. Não é nada fácil se desapegar de um mito que já vem nos acompanhando desde que a gente se conhece por gente. É quase um Édipo de si mesmo. Deixar um mito é algo muito próximo de deixar um lar e alguns podem sentir vertigem existencial sem o mito amigo. Mas, o mito sempre estará lá, acompanhando a caminhada humana. O mito durará o tempo que durar a imaginação poética humana. A mudança de cânone não é o fim de um lar, é a criação de outro.


 ...e ao sair das colunatas mudaram mais uma vez de assunto e foram tomar café...




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Imagem: O nascimento do ídolo (Magritte 1926)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Algumas imagens...


"No fio da linha"

"No fio da linha"

"- cameras + livros"

"- cameras + livros"


"- cameras + livros"

"proibido carros"

"proibido carros"

domingo, 27 de maio de 2012

{orfeu21}


 Luca Martins
Pouco mais de duas semanas após as récitas do musical Orfeu21, estreado no grande palco giratório do Teatro Carlos Gomes em Blumenau, reviro minhas memórias e aquela impressão de satisfação ainda ecoa e ecoará. Como público que fui, queria agradecer e parabenizar a todos envolvidos, desde a elaboração do projeto, aos criadores, aos inventores, aos atores, aos administradores, aos cantores, aos dançarinos, aos figurinistas, aos figurantes, aos solistas, aos instrumentistas, aos secretários, aos zeladores, aos professores, aos produtores, aos voluntários e anônimos, aos diretores, aos iluminadores, aos patrocinadores, a todos artistas, porque todos nessa hora se tornaram artistas!

Cinco récitas lotadas no grande auditório do Carlos Gomes? Gente voltando pra casa sem ingresso? Como fico feliz com isso!!!! Não precisamos de prova maior da sede que as pessoas têm de novas histórias e estórias. Precisamos de criação artística. Orfeu21, uma velha história recontada e absorvida por nossos inventores conterrâneos e contemporâneos, o texto de Gregory Haertel, a música de André de Souza, direção coreográfica de Beatriz Niemeyer, direção geral de Pépe Sedrez, o Orfeu de Fábio Hostert, a Eurídice de Luca Martins... a “palavra dos criadores” escrita no programa foi muito mais do que cumprida: o espetáculo foi acessível, foi direto e foi atual, foi trágico como é trágica a vida em todas as épocas e em todos os lugares, e nossa época foi habilmente desmaqueada no palco por estes artistas.  Senti muitos afetos, um lencinho foi pouco, mas também de emoção feliz por ver um texto tão urgente e necessário sendo falado, dançado, cantado, tocado e gritado na sala de visitas do Vale do Itajaí! Coisa raríssima no mar de “eventos culturais” patrocinados com dinheiro da população deste país.

Senti a ironia do casamento de véu e grinalda que convida o público a observar num palco suas próprias práticas, pra mim este foi o primeiro impacto: “não, isso não é um teatro, isso eu também já vivi!” Orfeu, transfigurado no personagem Rogério, um típico e midiático astro do rock de nosso tempo e Eurídice que aparece na doce bailarina Alice, que me levaram a mil giros no cenário, mil sorrisos ao me ver capturado, vidrado no roteiro.

As questões expressas em Orfeu21 são das mais urgentes atualidades. A despeito das revoluções e revoluções dos séculos e décadas passadas, ainda continuamos a sustentar uma hierarquização do poder econômico, até mesmo confirmando em sinal verde a manutenção de uma classe de eleitos a dormir no luxo e a acordar no privilégio, com tantos ganhos financeiros que seria mesmo impossível ter tempo para ser útil à sociedade, como deveriam.

Fábio Hostert
Orfeu21 traz ao palco uma passeata de reajuste salarial, onde a bailarina Alice acaba por ser vítima de uma bala de revólver... A cena é desenhada com a dura realidade de um policial empunhando sua arma, na dura tarefa de pouco pensar, mas sim de cumprir ordens e dominar seu deserto de estranhos... Acho que os artistas de Orfeu21 trouxeram esta questão escancarada no alto do camarote.

O cenário mais que apropriado ao trono de Hades é o “pronto socorro” do hospital público e é bem ali que o público do Teatro Carlos Gomes daquele sábado pareceu se dividir, e não sabia mais se ria ou se chorava. Na cena do trio de cantoras deitadas no leito hospitalar, a música era ironicamente jocosa e parecia embalar momentos de bom humor, porém a letra só denunciava a tão hedionda situação que ainda é imposta aos doentes que não fazem parte do clubinho dos bons salários. A música era engraçada, o texto rimado, mas o grito, quase um sprechgesang, vinha de um peito apertado pelo câncer. Durante este trio uns riam, outros não.

Logo vejo o astro de rock Rogério, entre sua dor da eutanásia cercado pelos paparazzi, e mais uma vez nos estarrece nossa contemporaneidade fetichista ao absurdo, que consome, que consome, que consome e come e devora tudo com um apetite tão cruel quanto o apetite de Cérbero, até a morte. O cão de três cabeças é também o próprio sistema de saúde inventado na nossa época, que te dá o tapinha e o tiro pelas costas. A história de Orfeu se reconta todos os dias...

Queria mais uma vez cumprimentar e agradecer aos artistas que criaram e tornaram possível o musical Orfeu21 em Blumenau. Acredito que esta obra de arte precisa ser apresentada em mais lugares, com vários elencos e para vários públicos, pois sua mensagem é urgente e nossa sociedade, nossas sociedades, nossas ruas, nossas casas, nossos pensamentos, nossas palavras, nosso olhar, nosso tempo e nossa fala precisam da arte sensível que denuncie a crueldade.
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Leandro Gaertner
Curitiba, maio de 2012. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ementa do curso técnico ~ história da música



história da música
curso técnico* - 4 semestres 




Objetivo Geral do Curso:
Estimular a escuta, o diálogo e a construção de saberes sobre a música de diferentes períodos e de diferentes culturas da história da humanidade, da pré-história à contemporaneidade, visando à formação profissional de músico e de educador musical.

Objetivos Específicos do Curso:
Dialogar com os estudantes a escuta musical, nossos saberes, nossa memória sonora e musical, nosso contexto histórico e cultural. Dialogar com os estudantes nosso presente histórico e o nosso olhar para outros momentos da história como uma construção em transformação (a História e a historiografia). Contextualizar os eventos da história da música na história geral. Apresentar os principais períodos (conceitos históricos), estilos e compositores do cânone clássico da história da música e estimular a pesquisa de novas possibilidades de construção histórica. Dialogar a relação entre os períodos históricos, a continuidade, a tradição, a ruptura, o novo. Dialogar com os estudantes o conhecimento histórico na educação musical (na docência e na pesquisa) e na interpretação musical. Desenvolver junto aos estudantes as competências para mediar conhecimento no espaço discursivo da sala de aula ou de outros contextos educacionais. Dialogar com os estudantes maneiras de apresentar a música nas escolas e em outros contextos educacionais como arte poética, de expressão e transformação individual e coletiva.

Procedimentos Metodológicos
Os encontros serão semanais, com momentos de escuta musical, apresentação de conteúdo, debate e mediação de conhecimentos entre estudantes e professor. Os conteúdos serão apresentados com auxílio de mídias diversas além de eventuais participações de músicos convidados. A participação dos estudantes através de debates, questionamentos e outras contribuições durante os encontros será fundamental para a troca e construção de conhecimentos.
Os encontros terão como eixo central a discussão entre a música de diferentes épocas e culturas e como este conhecimento pode ser apresentado de maneira poética, expressiva e transformadora em diversos contextos educacionais da sociedade contemporânea.
No Curso Técnico também serão realizados encontros em formato de seminário para estimular a participação dos estudantes na exposição e discussão crítica de conteúdos.
Devido à curta duração do Curso Técnico e ao objetivo de formação profissional de músico e educador musical, pressupõe-se que o estudante ingressante já tenha conhecimentos básicos sobre os conceitos tradicionais de história da música, familiaridade com a escuta musical de diferentes períodos e conhecimento de suas características musicais básicas. Portanto, é necessária uma avaliação escrita para admissão no Curso Técnico, baseada na “Bibliografia básica”, que se encontra no fim desta ementa.

CURSO DE HISTÓRIA DA MÚSICA – Módulos I e II

Objetivo Geral
Módulos I e II
Apresentar conhecimentos específicos da História da Música a partir dos diálogos contemporâneos sobre historiografia, filosofia e arte, com ênfase às obras compostas até o início do século XX.

Módulo I

Objetivos Específicos
-Dialogar com os estudantes a música do presente;
-Estimular a reflexão sobra as experiências e memórias musicais individuais;
-Primeiros diálogos sobre som, música, cultura, memória e experiência musical, arte, poesia;
-Primeiros diálogos sobre História, historiografia, a construção da história;
-Apresentar os “conceitos históricos”; Dialogar a relação entre os conceitos/períodos históricos, a continuidade, a tradição, a ruptura, o novo (a quebra de paradigmas e a transformação);
-Dialogar as “propriedades da música”;
-Escutar e discutir as características da “música medieval: circa ano 800 da era comum” até “música renascentista: circa ano 1600 da era comum”.
-Refletir com os estudantes modos de estudar e expor o conhecimento histórico da música sem se distanciar do fazer musical;

Conteúdo Programático

-Apresentação dos “conceitos históricos” para contar a história da música da Europa e das Américas (Antiguidade Clássica – Idade Média na Europa – Renascimento – Barroco – Clássico – Romântico – Século XX e XXI);
-Escuta e discussão sobre repertório variado, de reconstituições da música grega ao século XX;
-Apresentação de documentários sobre a música hoje;
-Apresentação das “propriedades da música”: ritmo, timbre, melodia, harmonia, forma, textura (monodia, homofonia e polifonia);
-A “linha do tempo”: a história geral e história da música; 
-A situação da música no fim da antiguidade; Canto litúrgico e secular na Idade Média;
- Polifonia e música do século XIII; Música francesa e italiana do século XIV;
- Da Idade Média ao Renascimento: música inglesa e do ducado da Borgonha no século XV; Renascimento: de Ockeghem a Josquin;
-Novas correntes no século XVI; Música sacra no “Renascimento tardio”;

Transição de Módulo
Para a transição de módulo será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo 3 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim do semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.

Módulo II

Objetivos Específicos
-Dialogar com os estudantes a música do presente;
-Estimular a reflexão sobra as experiências e memórias musicais individuais;
-Dialogar a relação entre os conceitos/períodos históricos, a continuidade, a tradição, a ruptura, o novo (a quebra de paradigmas e a transformação);
-Dialogar as “propriedades da música”;
-Escutar e discutir as características da “música renascentista: circa ano 1600 da era comum” até “música do início do século XX ”;
-Refletir com os estudantes o conhecimento histórico, a arte, a música e como este conhecimento pode ser apresentado nas escolas e em outros contextos educacionais;
-Refletir com os estudantes modos de estudar e expor o conhecimento histórico da música sem se distanciar do fazer musical;

Conteúdo Programático
-Apresentação de documentários, concertos, encontros musicais de diferentes culturas; Escuta e discussão sobre repertório variado, de reconstituições da música grega ao século XX;
-Música do primeiro período barroco; Ópera e música vocal na segunda metade do século XVI;
-Música instrumental no “Barroco tardio”; A primeira metade do século XVIII;
-Origens do estilo clássico: a sonata, a sinfonia e a ópera do século XVIII;
-Segunda metade do Séc. XVIII: Joseph Haydn e W.A. Mozart;
-Classicismo e Romantismo: música na época da Revolução Francesa;
-O Século XIX: romantismo; música instrumental vocal;
-Música nas colônias e ex-colônias europeias nas Américas;
-Ruptura do sistema tonal: nascimento do sistema dodecafônico;

Transição de Módulo
Para a transição de módulo será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo 3 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim do semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.


CURSO DE HISTÓRIA DA MÚSICA – Módulos III e IV

Objetivo Geral
 Módulos III e IV
 Estimular o diálogo sobre a música do século XX e XXI em diversas culturas, suas conexões com o passado, suas transformações e as músicas da contemporaneidade.

Módulo III

Objetivos Específicos
-Escutar e discutir música de períodos, contextos sociais e culturas diversas;
-Discutir a relação com a música do passado, antes e depois da gravação;
-Dialogar sobre a reconstrução da música do passado: grupos de “música antiga”, “instrumentos de época”, o conhecimento histórico como ferramenta na (re)interpretação;
-Dialogar sobre as transformações da música nos últimos 100 anos; o impacto das novas tecnologias de comunicação global na criação artística, na expressão individual e coletiva;
-Refletir a música como um fenômeno de transformação social; arte e as transformações do pensamento ao longo do século XX e XXI; Onde estão as musas hoje?
-Refletir com os estudantes modos de estudar e expor o conhecimento histórico da música sem se distanciar do fazer musical;
-Desenvolver junto aos estudantes maneiras de apresentar a música de diferentes épocas e culturas em contextos educacionais, como escolas regulares, escolas de música, grupos de prática musical diversa, contextos educacionais formais, não-formais e informais;
-Estimular nos estudantes, para além da escuta, a prática de música de outras épocas e prática de culturas musicais diversas;

Conteúdo Programático
-A música em diversas culturas no século XX e XXI. Os encontros estarão abertos a uma discussão ampla sobre a música dos últimos 100 anos, como por exemplo: a música na Europa, música indiana, música anglo-americana, música centro-americana, Choro, Jazz, Samba, música andina, música do extremo oriente, músicas regionalistas brasileiras, Bossa-Nova, Rock, o Rock no Brasil, as orquestras (sinfônicas e de câmara) de música do passado...
-As transformações do pensamento humano e as transformações da música;
-Diálogos sobre a música, as músicas da contemporaneidade;
-Afinal, o que tentam dizer as músicas dos grupos sociais “marginais”? Um dia elas serão também história?
-O culto ao passado: existe alguma espécie de dívida com o passado?
-O cenário da educação musical hoje: quais são os desafios do educador musical?


Transição de Módulo
Para a transição de módulo será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo de 3 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim do semestre, um encontro será destinado ao processo avaliativo formal, elaborado com questões dissertativas orais (em formato de seminário) e escritas pertinentes ao módulo.

Módulo IV

Objetivos Específicos
-Escutar e discutir música de períodos, contextos sociais e culturas diversas;
-Dialogar sobre o impacto das novas tecnologias de comunicação global na criação artística, na expressão individual e coletiva;
-Refletir a música como um fenômeno de transformação social; arte e as transformações do pensamento ao longo do século XX e XXI;
-Dialogar sobre a função da música hoje; o(s) compositor(es), o(s) intérprete(s), o(s) públicos, o(s) consumidor(es); Onde estão as musas hoje?
-Dialogar a música na indústria cultural do século XX e XXI;
-Desenvolver junto aos estudantes maneiras de apresentar a música de diferentes épocas e culturas em contextos educacionais, como escolas regulares, escolas de música, grupos de prática musical diversa, contextos educacionais formais, não-formais e informais;
-Refletir com os estudantes modos de estudar e expor o conhecimento histórico da música sem se distanciar do fazer musical;
-Estimular nos estudantes, para além da escuta, a prática musical de música de outras épocas e prática de culturas musicais diversas;
-Dialogar com os estudantes maneiras de apresentar a música nas escolas como arte poética, de expressão e transformação individual e coletiva (dialogar possibilidades de planos de aula, atividades de ensino musical individual e em grupo);

Conteúdo Programático
-As transformações do pensamento humano e as transformações da música;
-A música da contemporaneidade;
-O futuro da música: para onde irão as musas? Isto é um problema do presente?
-O futuro da prática musical de músicas do passado;
-Existe prática musical desligada do passado? Existe algum conhecimento ou expressão humana desligada do passado?
-A música dos projetos de lei de incentivo à cultura: uma escuta historicizada sobre esta prática contemporânea;
-Música inédita “acadêmica/erudita”, música inédita “popular”;
-Música como “expressão urgente” dos indivíduos e da sociedade;
-A música na indústria cultural do século XX e XXI;
-As propostas contemporâneas para a educação musical;


Conclusão do Curso
História da Música
Para a conclusão do curso será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo 3 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim do semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.


Bibliografia básica para o Curso Técnico

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio: Paz e Terra, 1970.
HARNONCOURT, N. O Discurso dos Sons: Caminhos para uma nova compreensão musical. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,1988.
RORTY, Richard. Uma ética laica. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
SOUZA, Jusamara (org.). Aprender e ensinar música no cotidiano. Porto Alegre: Sulina, 2009.

Leituras sugeridas - música, história, filosofia e educação

ABRAHAMS, F. Aplicação da Pedagogia Crítica ao ensino e a aprendizagem em música. In: Revista da ABEM, n. 12, março de 2005, p. 65-72.
ALBIN, R.C. Brasil Rito e Ritmo: Das raízes da MPB à chegada do Samba. Rio de Janeiro: Aprazível, 2004.
ANDRADE, Mário de. Ensaio sobre a Música Brasileira. São Paulo: Martins, 1972.
BEINEKE, V. Políticas públicas e formação de professores: uma reflexão sobre o papel da universidade. In: Revista da ABEM. n. 10, março de 2004.p. 35-42.
BESSA, Virgínia. Um bocadinho de cada coisa: trajetória e obra de Pixinguinha. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo (USP) PPG-História Social, 2005.
BEYER, Esther; KEBACH, Patrícia (Orgs.). Pedagogia da Música: experiências de apreciação musical. Porto Alegre: Mediação, 2009.
BRAGA, Luiz Otávio Rendeiro Correa. A Invenção Da Música Popular Brasileira: de 1930 ao final do Estado Novo. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) PPG-História Social, 2002.
BURKHOLDER, J. Peter; PALISCA Claude V. Norton Anthology of Western Music Volume 1 e 2 Fifth Edition. New York: Norton, 2006.
CAZES, Henrique. Choro: do Quintal ao Municipal. Rio de Janeiro: Editora 34, 1998.
CHUEKE, Zélia. Estágios de Escuta durante a Preparação e a Execução pianística na Visão de seis Pianistas de nosso Tempo. In Performance Musical e suas Interfaces, ed. Sonya Ray, 115-143. Goiânia: Vieira, 2005.
CONE, Edward T. Musical form and musical performance. New York: Norton, 1968.
COOK, Nicholas. Fazendo música juntos ou improvisação e seus outros. Per Musi, Belo Horizonte, n.16, 2007, p. 07-20
DAHLHAUS, Carl. Foundations of Music History. New York: Cambridge, 1999.
DEWEY, John. Experiência e Educação. Petrópolis, 2010.
___________. Arte como experiência. São Paulo: Martins, 2010.
FONTERRADA, M. Música, conhecimento e história: um exercício de contraponto. In: Encontro Anual da ABEM, 1, Rio de Janeiro, 1992. Anais… Rio de Janeiro: ABEM, 1992. p. 47-57.
FONTERRADA, M. De tramas e fios: Um ensaio sobre musica e educação. São Paulo: editora da UNESP, 2005.
FRANCESCHI, Humberto. A Casa Edison e seu tempo. Rio de Janeiro: Sarapuí, 2002.
GAERTNER, Leandro. A historiografia como ferramenta para contar a história da música. Revista Eletrônica de Musicologia REM, Volume XIV, UFPR, setembro 2010.
HARNONCOURT, N. O Diálogo musical. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.
JARDIM, Gil. O Estilo antropofágico de Heitor Villa-Lobos: Bach e Stravinsky na Obra do Compositor. São Paulo: Philarmonia Brasileira, 2005.
KENYON, N.; TARUSKIN, R. Authenticity and early music. New Yok: Oxford, 1988.
KIEFER,Bruno. A modinha e o lundu. Porto Alegre: Movimento-UFRGS, 1977.
___________. Música e dança popular. Porto Alegre: Movimento-UFRGS, 1990.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.
LINDE, Hans M. Pequeno Guia para Ornamentação da Música do Barroco. São Paulo: Ricordi, 1979.
MADURELL, François. Itinéraire d’un musicologue engagé. Journal de Recherche en Éducation Musicale, Observatoire Musical Français Université Paris-Sorbonne, Volume 5, no 2, Automne 2006, p.5-41.
MARIZ, Vasco. Heitor Villa-Lobos: Compositor Brasileiro. Brasília: Ministério da Cultura, 1977.
MATOS, C.N. O malandro no samba: de sinhô a Bezerra da Silva. In Notas Musicais Cariocas, ed. J.B.M.Vargem, 35-62. Petrópolis: Vozes, 1986.
MEIRA, Marly; PILLOTTO, Silvia.  Arte, afeto e educação: a sensibilidade na ação pedagógica. Porto Alegre: Mediação, 2010.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Editora Escala, 2007.
PENNA, Maura. Música(s) e seu ensino. Porto Alegre: Sulina, 2008.
QUANTZ, Johann .J. On Playing the Flute. New York: Schirmer, 1985.
RATNER, Leonard. Classic music – expression, form and style. New York: Schirmer Books, 1980.
REIS, José Carlos. Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
RINK, John, ed. Musical Performance: a  Guide to Understanding. Cambridge: CUP, 2002.
RORTY, Richard. Contingência, Ironia e Solidariedade. São Paulo: Martins, 2007.
ROSEN, Charles. The classical style. New York: Norton, 1998.
SANTOS, Fabio Saito dos. Estamos Aí: Um estudo das influênciasdo Jazz na Bossa-Nova. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Departamento de Música do Instituto de Artes,  2006.
VEYNE, Paul. Quando nosso mundo se tornou cristão (312-394), Civilização Brasileira, 2010.
VEILHAN, J.C. The Rules of Musical Interpretation in the Baroque Era. Paris: Alphonse Leduc, 1979.
VIRET, Jacques, ed. Entre Sujet et Objet: l’Herméneutique musicale comme Méthodologie de l’Écoute.  In Approche Herméneutique de la Musique, 283-296. Strasbourg: Presses de l’Université, 2001.
WEBSTER, James. The eighteenth century as a music-historical period? Eighteenth-Century Music 1/1, 47-60: Cambridge University Press, 2004.


Também são sugeridas as Revistas Especializadas em Música como:

-Revista Música Hodie http://www.musicahodie.mus.br/
-Revista Eletrônica de Musicologia http://www.rem.ufpr.br/
-Revista do Conservatório de Música UFPel http://www.ufpel.edu.br/conservatorio/revista/index.html



*O curso técnico ainda aguarda implantação.




conservatório musical maestro paulino 
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