Pesquisar este blog

domingo, 20 de maio de 2012

ementa do curso básico ~ história da música




história da música
curso básico - 4 anos 



Objetivo Geral do Curso:
Escutar e dialogar com os estudantes a música de diferentes períodos e de diferentes culturas da história da humanidade, da pré-história à contemporaneidade.

Objetivos Específicos do Curso:
Dialogar com os estudantes a escuta musical, nossos saberes, nossa memória sonora e musical, nosso contexto histórico e cultural. Dialogar com os estudantes nosso presente histórico e o nosso olhar para outros momentos da história como uma construção em transformação (a História e a historiografia). Contextualizar os eventos da história da música na história geral. Apresentar os principais períodos (conceitos históricos), estilos e compositores do cânone clássico da história da música e estimular a pesquisa de novas possibilidades de construção histórica. Dialogar a relação entre os períodos históricos, a continuidade, a tradição, a ruptura, o novo.


Procedimentos Metodológicos
Os encontros serão semanais, com momentos de escuta musical, apresentação de conteúdo, debate e mediação de conhecimentos entre estudantes e professor. Os conteúdos serão apresentados com auxílio de mídias diversas além de eventuais participações de músicos convidados. A participação dos estudantes através de debates, questionamentos e outras contribuições durante os encontros será fundamental para a troca e construção de conhecimentos. 
Devido à longa duração do Curso Básico, vários encontros serão destinados à escuta musical seguida de apreciação e discussão histórico-musicológica de seu conteúdo, contexto e seus efeitos nos ouvidos presentes.

  

CURSO DE HISTÓRIA DA MÚSICA – Módulos I e II

Objetivo Geral
Módulos I e II
Apresentar conhecimentos específicos da História da Música a partir dos diálogos contemporâneos sobre historiografia, filosofia e arte, com ênfase às obras compostas até o início do século XX.
Módulo I
Objetivos Específicos
-Dialogar com os estudantes a música do presente;
-Estimular a reflexão sobra as experiências e memórias musicais individuais;
-Primeiros diálogos sobre som, música, cultura, memória e experiência musical, arte, poesia;
-Primeiros diálogos sobre História, historiografia, a construção da história;
-Apresentar os “conceitos históricos”; Dialogar a relação entre os conceitos/períodos históricos, a continuidade, a tradição, a ruptura, o novo (a quebra de paradigmas e a transformação);
-Dialogar as “propriedades da música”;
-Escutar e discutir as características da “música medieval: circa ano 800 da era comum” até “música renascentista: circa ano 1600 da era comum”.
-Refletir com os estudantes modos de estudar história da música sem se distanciar do fazer musical;
Conteúdo Programático

-Apresentação dos “conceitos históricos” para contar a história da música da Europa e das Américas (Antiguidade Clássica – Idade Média na Europa – Renascimento – Barroco – Clássico – Romântico – Século XX e XXI);
-Escuta e discussão sobre repertório variado, de reconstituições da música grega ao século XX;
-Apresentação de documentários sobre a música hoje;
-Apresentação das “propriedades da música”: ritmo, timbre, melodia, harmonia, forma, textura (monodia, homofonia e polifonia);
-A “linha do tempo”: a história geral e história da música; 
-A situação da música no fim da antiguidade;
-Canto litúrgico e secular na Idade Média;
- Polifonia e música do século XIII;
- Música francesa e italiana do século XIV;
- Da Idade Média ao Renascimento: música inglesa e do ducado da Borgonha no século XV;
-Renascimento: de Ockeghem a Josquin;
-Novas correntes no século XVI; Música sacra no “Renascimento tardio”;
Transição de Módulo
Para a transição de módulo será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo de 6 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim de cada semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.
Módulo II
Objetivos Específicos
-Dialogar com os estudantes a música do presente;
-Estimular a reflexão sobra as experiências e memórias musicais individuais;
-Dialogar a relação entre os conceitos/períodos históricos, a continuidade, a tradição, a ruptura, o novo (a quebra de paradigmas e a transformação);
-Dialogar as “propriedades da música”;
-Escutar e discutir as características da “música renascentista: circa ano 1600 da era comum” até “música do início do século XX ”;
-Relacionar as características musicais das novas escutas com o passado;
-Refletir com os estudantes modos de estudar história da música sem se distanciar do fazer musical;
Conteúdo Programático
-Apresentação de documentários, concertos, encontros musicais de diferentes culturas;
-Escuta e discussão sobre repertório variado, de reconstituições da música grega ao século XX;
-Música do primeiro período barroco;
-Ópera e música vocal na segunda metade do século XVI;
-Música instrumental no “Barroco tardio”;
-A primeira metade do século XVIII;
-Origens do estilo clássico: a sonata, a sinfonia e a ópera do século XVIII;
-Segunda metade do Séc. XVIII: Joseph Haydn e W.A. Mozart;
-Classicismo e Romantismo: música na época da Revolução Francesa;
-O Século XIX: romantismo; música instrumental vocal;
-Música nas colônias e ex-colônias europeias nas Américas;
-Ruptura do sistema tonal: nascimento do sistema dodecafônico;
Transição de Módulo
Para a transição de módulo será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo de 6 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim de cada semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.

CURSO DE HISTÓRIA DA MÚSICA – Módulos III e IV

Objetivo Geral
 Módulos III e IV
 Estimular o diálogo sobre a música do século XX e XXI em diversas culturas, suas conexões com o passado, suas transformações e as músicas da contemporaneidade.
Módulo III
Objetivos Específicos
-Escutar e discutir música de períodos, contextos sociais e culturas diversas;
-Discutir a relação com a música do passado, antes e depois da gravação;
-Dialogar sobre a reconstrução da música do passado: grupos de “música antiga”, “instrumentos de época”, o conhecimento histórico como ferramenta na (re)interpretação;
-Dialogar sobre as transformações da música nos últimos 100 anos; o impacto das novas tecnologias de comunicação global na criação artística, na expressão individual e coletiva;
-Refletir a música como um fenômeno de transformação social; arte e as transformações do pensamento ao longo do século XX e XXI; Onde estão as musas hoje?
-Refletir com os estudantes modos de estudar história da música sem se distanciar do fazer musical;
Conteúdo Programático
-A música em diversas culturas no século XX e XXI. Os encontros estarão abertos a uma discussão ampla sobre a música dos últimos 100 anos, como por exemplo: a música na Europa, música indiana, música anglo-americana, música centro-americana, Choro, Jazz, Samba, música andina, música do extremo oriente, músicas regionalistas brasileiras, Bossa-Nova, Rock, o Rock no Brasil, as orquestras (sinfônicas e de câmara) de música do passado...
-As transformações do pensamento humano e as transformações da música;
-Diálogos sobre a música, as músicas da contemporaneidade;
-Afinal, o que tentam dizer as músicas dos grupos sociais “marginais”? Um dia elas serão também história?
-O culto ao passado: existe alguma espécie de dívida com o passado?

Transição de Módulo
Para a transição de módulo será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo de 6 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim de cada semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.
Módulo IV
Objetivos Específicos
-Escutar e discutir música de períodos, contextos sociais e culturas diversas;
-Dialogar sobre o impacto das novas tecnologias de comunicação global na criação artística, na expressão individual e coletiva;
-Refletir a música como um fenômeno de transformação social; arte e as transformações do pensamento ao longo do século XX e XXI;
-Onde estão as musas hoje?
-Dialogar sobre a função da música hoje; o(s) compositor(es), o(s) intérprete(s), o(s) públicos, o(s) consumidor(es);
-Dialogar a música na indústria cultural do século XX e XXI;
-Refletir com os estudantes modos de estudar história da música sem se distanciar do fazer musical;
-Estimular nos estudantes, para além da escuta, a prática musical de música de outras épocas e prática de culturas musicais diversas;
Conteúdo Programático
-As transformações do pensamento humano e as transformações da música;
-A música da contemporaneidade;
-O futuro da música: para onde irão as musas?
-O futuro da prática musical de músicas do passado;
-Existe prática musical desligada do passado? Existe algum conhecimento ou expressão humana desligada do passado?
-A música dos projetos de lei de incentivo à cultura: uma escuta historicizada sobre esta prática contemporânea;
-Música inédita “acadêmica/erudita”, música inédita “popular”;
-Música como “expressão urgente”;
-A música na indústria cultural do século XX e XXI;

Conclusão do Curso
História da Música
Para a conclusão do curso será considerada principalmente a frequência do estudante nos encontros (máximo de 6 faltas sem justificativa) e a participação do estudante durante as questões dialogadas.  No fim de cada semestre, uma(s) atividade(s) serão destinadas ao processo avaliativo formal.


Leituras sugeridas - música, história, filosofia e educação

ALBIN, R.C. Brasil Rito e Ritmo: Das raízes da MPB à chegada do Samba. Rio de Janeiro: Aprazível, 2004.
BESSA, Virgínia. Um bocadinho de cada coisa: trajetória e obra de Pixinguinha. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo (USP) PPG-História Social, 2005.
BRAGA, Luiz Otávio Rendeiro Correa. A Invenção Da Música Popular Brasileira: de 1930 ao final do Estado Novo. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) PPG-História Social, 2002.
BURKHOLDER, J. Peter; PALISCA Claude V. Norton Anthology of Western Music Volume 1 e 2 Fifth Edition. New York: Norton, 2006.
CAZES, Henrique. Choro: do Quintal ao Municipal. Rio de Janeiro: Editora 34, 1998.
CHUEKE, Zélia. Estágios de Escuta durante a Preparação e a Execução pianística na Visão de seis Pianistas de nosso Tempo. In Performance Musical e  suas Interfaces, ed. Sonya Ray, 115-143. Goiânia: Vieira, 2005.
CONE, Edward T. Musical form and musical performance. New York: Norton, 1968.
DAHLHAUS, Carl. Foundations of Music History. New York: Cambridge, 1999.
DEWEY, John. Experiência e Educação. Petrópolis, 2010.
___________. Arte como experiência. São Paulo: Martins, 2010.
FRANCESCHI, Humberto. A Casa Edison e seu tempo. Rio de Janeiro: Sarapuí, 2002.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio: Paz e Terra, 1970.
GAERTNER, Leandro. A historiografia como ferramenta para contar a história da música. Revista Eletrônica de Musicologia REM, Volume XIV, UFPR, setembro 2010.
HARNONCOURT, N. O Discurso dos Sons: Caminhos para uma nova compreensão musical. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,1988.
___________. O Diálogo musical. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.
JARDIM, Gil. O Estilo antropofágico de Heitor Villa-Lobos: Bach e Stravinsky na Obra do Compositor. São Paulo: Philarmonia Brasileira, 2005.
KENYON, N.; TARUSKIN, R. Authenticity and early music. New Yok: Oxford, 1988.
___________. A modinha e o lundu. Porto Alegre: Movimento-UFRGS, 1977.
___________. Música e dança popular. Porto Alegre: Movimento-UFRGS, 1990.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.
LINDE, Hans M. Pequeno Guia para Ornamentação da Música do Barroco. São Paulo: Ricordi, 1979.
MADURELL, François. Itinéraire d’un musicologue engagé. Journal de Recherche en Éducation Musicale, Observatoire Musical Français Université Paris-Sorbonne, Volume 5, no 2, Automne 2006, p.5-41.
MARIZ, Vasco. Heitor Villa-Lobos: Compositor Brasileiro. Brasília: Ministério da Cultura, 1977.
MATOS, C.N. O malandro no samba: de sinhô a Bezerra da Silva. In Notas Musicais Cariocas, ed. J.B.M.Vargem, 35-62. Petrópolis: Vozes, 1986.
NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Editora Escala, 2007.
QUANTZ, Johann .J. On Playing the Flute. New York: Schirmer, 1985.
RATNER, Leonard. Classic music – expression, form and style. New York: Schirmer Books, 1980.
REIS, José Carlos. Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
RORTY, Richard. Contingência, Ironia e Solidariedade. São Paulo: Martins, 2007.
___________. Uma ética laica. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

ROSEN, Charles. The classical style. New York: Norton, 1998.
SANTOS, Fabio Saito dos. Estamos Aí: Um estudo das influênciasdo Jazz na Bossa-Nova. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Departamento de Música do Instituto de Artes,  2006.
SOUZA, Jusamara (org.). Aprender e ensinar música no cotidiano. Porto Alegre: Sulina, 2009.
VEYNE, Paul. Quando nosso mundo se tornou cristão (312-394), Civilização Brasileira, 2010.
VEILHAN, J.C. The Rules of Musical Interpretation in the Baroque Era. Paris: Alphonse Leduc, 1979.
WEBSTER, James. The eighteenth century as a music-historical period? Eighteenth-Century Music 1/1, 47-60: Cambridge University Press, 2004.

Também são sugeridas as Revistas Especializadas em Música como:

-Revista Música Hodie http://www.musicahodie.mus.br/
-Revista Eletrônica de Musicologia http://www.rem.ufpr.br/
-Revista do Conservatório de Música UFPel http://www.ufpel.edu.br/conservatorio/revista/index.html





                                                                                                                   
conservatório musical maestro paulino 
 ponta grossa - pr 

domingo, 22 de abril de 2012

~ encontros poiéticos ~ Iara


O tema "Iara", também conhecido como "Rasga coração" de Anacleto de Medeiros, gravado em 1907 pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.



                               
                              Villa-Lobos traz este tema também em seus Choros n°10  de 1925








e o compositor Ronaldo Miranda traz o tema "Iara" em sua obra "Variações sérias sobre um tema de Anacleto de Medeiros" (1991)




Tadeu Coelho, flauta - José Medeiros, oboé - André Ehrlich,clarinete - Elione Medeiros,fagote - Stanislav Schultz, trompa - gravado no cine teatro Ouro Verde, durante o 28 Festival de Musica de Londrina, 19 de julho de 2008 - Quinteto de Sopros do 28 FML 
filmagem de PaulodaFígaro.



segunda-feira, 2 de abril de 2012

~ encontros poiéticos ~ assim falava zaratustra

...o Zaratustra de Strauss estreia 27 de novembro de 1896 em Frankfurt


Richard Strauss - Also Sprach Zarathustra, op. 30
l'Orchestra Nazionale di Santa Cecilia 

com Antonio Pappano




A música de Richard Strauss foi baseada no livro de Friedrich Nietzsche publicado entre 1883-1885.

Capa da primeira edição


 Assim falava Zaratustra de F.Nietzsche online


...e em 1968 é na arte do cinema que se encontram Kubrick, Strauss, Nietzsche, Zoroastro...


Cena do filme 2001 Uma odisseia no espaço de Stanley Kubrick


domingo, 1 de abril de 2012

~ encontros poiéticos ~ a sagração da primavera

                     a sagração da primavera
(estreia 29 de maio de 1913 no Théâtre des Champs-Élysées em Paris)


                                                   Obra reconstituída pelo Joffrey Ballet (1987)


Música: Igor Stravinsky
Coreografia: Vaslav Nijinsky
Cenário: Nicolai Roerich

Numa entrevista ao Daily Mail em 13 de fevereiro de 1913, Stravinsky disse: "É uma série de cerimônias da antiga Rússia".

Notas do programa da estreia, a 29 de Maio de 1913 :

"Primeiro quadro : A adoração da terra
Primavera. A terra está coberta de flores. A terra está coberta de erva. Uma grande alegria reina sobre
 a terra. Os homens entregam-se à dança e interrogam o porvir segundo os ritos. O mais velho de todos os sábios toma parte ele mesmo na glorificação da Primavera. Trazem-no para o unir à terra abundante e soberba. Todos pisam a terra com êxtase.


Segundo quadro : O sacrifício
Depois do dia, depois da meia-noite. Nas colinas estão as pedras consagradas. As adolescentes praticam os jogos míticos e buscam a grande via. Glorifica-se, aclama-se Aquela que foi designada para ser entregue aos deuses. Invocam-se os antepassados, testemunhas veneradas. E os sábios antepassados dos homens contemplam o sacrifício. É assim que se sacrifica a Iarilo,o magnífico,o flamejante[na mitologia eslava Iarilo é o deus da natureza]."
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~


Plano da obra  (vídeo com a coreografia de Maurice Béjart para Le Ballet du
XXe Siècle ; Orq. Nacional da Bélgica sob a direcção de André Vandernoot)

Primeiro quadro : A adoração da terra
1. Introduction (Introdução) 
2. Augures printaniers — Danses des adolescentes (Augúrios primaveris –
Danças dos adolescentes)
3. Jeu du rapt (Jogo do rapto) 
4. Rondes printanières (Rondas primaveris) 
5. Jeu des cités rivales (Jogo das cidades rivais) 
6. Cortège du Sage (Cortejo do Sábio) 
7. Danse de la terre (Dança da terra) 
Segundo quadro : O sacrifício
1. Introduction (Introdução) 
2. Cercles mystérieux des adolescentes (Círculos misteriosos dos adolescentes)
3. Glorification de l'Élue (Glorificação da Eleita) 
4. Évocation des ancêtres (Evocação dos antepassados) 
5. Action rituelle des ancêtres (Acção ritual dos antepassados) 
6. Danse sacrale. L’Élue (Dança sacrificial. A Eleita) 
"A sagração da primavera" com coreografia de Maurice Béjart (1970)
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Voici les notes de programme que les spectateurs avaient entre leurs mains lors de la première représentation, le 29 mai 1913 :
« Premier tableau : L'Adoration de la terre
Printemps. La terre est couverte de fleurs. La terre est couverte d'herbe. Une grande joie règne sur la terre. Les hommes se livrent à la danse et interrogent l'avenir selon les rites. L'Aïeul de tous les sages prend part lui-même à la glorification du Printemps. On l'amène pour l'unir à la terre abondante et superbe. Chacun piétine la terre avec extase.
Deuxième tableau : Le Sacrifice
Après le jour, après minuit. Sur les collines sont les pierres consacrées. Les adolescentes mènent les jeux mythiques et cherchent la grande voie. On glorifie, on acclame Celle qui fut désignée pour être livrée aux Dieux. On appelle les Aïeux, témoins vénérés. Et les sages aïeux des hommes contemplent le sacrifice. C'est ainsi qu'on sacrifie à Iarilo, le magnifique, le flamboyant [dans la mythologie slave, Iarilo est le dieu de la nature]. »
Chacun des deux grands tableaux débute par une introduction et comprend un certain nombre de danses menant à la Danse de la terre ou à la Danse sacrale. Voici les titres donnés à chacune des danses du Sacre du printemps :
  • Premier tableau : L'adoration de la terre
  1. Introduction (Lento - Più mosso - Tempo I)
  2. Augures printaniers — Danses des adolescentes (Tempo giusto)
  3. Jeu du rapt (presto)
  4. Rondes printanières (Tranquillo - Sostenuto e pesante - Vivo - Tempo I)
  5. Jeu des cités rivales (Molto Allegro)
  6. Cortège du Sage (Molto Allegro)
  7. L'Adoration de la Terre (Le Sage) (Lento)
  8. Danse de la terre (prestissimo)
  • Second tableau : Le sacrifice
  1. Introduction (Largo)
  2. Cercles mystérieux des adolescentes (Andante con moto - Più mosso - Tempo I)
  3. Glorification de l'élue (Vivo)
  4. Évocation des ancêtres (Lento)
  5. Action rituelle des ancêtres (Lento)
  6. Danse sacrale (Allegro Moderato, croche=126)

"The rite of spring" no filme Fantasia (Walt Disney 1940)
Parte 1: Genesis







~ encontros poiéticos ~ a tarde de um fauno



A Série "encontros poiéticos" é baseada nas aulas de história da música do Conservatório Musical Maestro Paulino Martins Alves (http://www.maestropaulino.com.br/), na cidade de Ponta Grossa, Paraná. Como quase sempre temos pouco tempo para a apreciação e curtição da obra completa durante nossos encontros semanais no conservatório, organizar sem pretensões alguns links a partir dos assuntos dialogados em sala pode vir a calhar...


      



 Vaslav Nijinsky como Fauno em 1912                         Capa do programa desenhada por Léon Bakst




~ A tarde de um fauno ~

Stéphane Mallarmé (1876)


Écloga

O fauno:

Estas ninfas, eu quero perpetuar.
Tão leve
O seu claro rubor que um volteio descreve 
No ar dormente, denso de sono.


Amei um sonho?
À dúvida, montão de antiga noite; ponho
Fim, ao ver deste bosque a sutil ramaria
Provar-me que eu, na solidão, me oferecia


Em triunfo, ai de mim! a falta ideal de rosas. 
Reflitamos...


serão mulheres fabulosas
Que à exaltação dos teus sentidos atribuis? 
Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuis
E frios, como fonte em prantos, da mais casta: 
Toda suspiros, a outra, achas que ela contrasta
Qual brisa matinal quente no teu tosão? 
Mas não! no lasso espasmo e na sufocação
Do calor, que a manhã combate, não murmura 
Água se não a verte a minha flauta pura
De acordes irrorando o bosque; e o único vento
Pronto a exalar pelos dois tubos seu alento
Antes que em chuva árida espalhe os sons em fuga
É, no horizonte que não frisa uma só ruga, 
O visível, sereno sopro artificial
Da inspiração, que ao céu retorna.


Ó pantanal
Siciliano, cuja orla sossegada e vasta, 
Rival dos sóis, a minha vaidade devasta, 
Tácito, num florir de mil centelhas, CONTA: 

"Que eu, um caniço aqui talhando, a flauta pronta, 

Feita com arte, eis o ouro glauco dos relvedos

Distantes dedicando a fontes seus vinhedos, 

Ondeia uma brancura animal em repouso: 

Ao lento preludiar do caniço, o gracioso

Voo de cisnes, não! de náiades se assusta, 

Foge ou mergulha..."

Tudo ferve na hora adusta
Sem que se possa ver onde se esconderá
Tanto himeneu, cobiça de quem busca o lá: 
Então despertarei, nos primeiros fervores, 
Hirto e só, sob uma onda antiga de esplendores, 
Lírios! e a um deles igual, a mesma ingenuidade.


Não o doce nada que de seus lábios se evade, 
O beijo suave que perfídias assegura, 
Meu peito, antes intacto, atesta a mordedura
Misteriosa, devida a algum augusto dente; 
Mas basta! arcano tal busca por confidente
O cálamo que sob o azul ressoa, quando
Da face para si a turbação desviando, 
Sonha, num solo longo, ir assim distraindo
A beleza em redor, a ela e a nós confundindo
Num engano que o nosso canto dissimula; 
E fazer, no tom em que o amor se modula
Desvanecer-se do habitual sonho, de lado
Ou de costas, ao meu olhar semicerrado, 
Uma sonora, vã e monótona linha.


Busca, pois, instrumento das fugas, maligna
Siringe, reflorir nos lagos, me aguardando! 
Fero do meu rumor, continuarei falando
Dessas deusas; e, por idólatras pinturas, 
Às suas sombras hei de arrancar as cinturas:


Assim das uvas ao sorver a claridade,
Para a mágoa banir fingindo alacridade, 
Rindo ergo ao céu estivo o meu cacho vazio: 
Soprando as peles luminosas me inebrio, 
Até o anoitecer olhando através delas.


Ninfas, ressoprarei outras LEMBRANÇAS belas: 
"Meu olhar dardejava, entre os juncos, um bando

De colos imortais seu ardor mergulhando

N'água, com gritos de ira até o céu da floresta; 

No banho imergem-se as cabeleiras em festa

Entre frêmitos e brilhos, Ó pedrarias! 

Corro e duas surpreendo enlaça das (pungia-as

O lânguido sabor do mal de serem duas), 

Sonolentas, os braços soltos... e assim nuas

Eu as rapto, sem as desenlaçar, e em meio

A um maciço, da fútil sombra odiado, cheio

De rosas cujo aroma o sol ardendo inala, 

A nossa festa ao dia incendido se iguala. "

Adoro a cólera das virgens, ó delícia
Feroz do sacro fardo nu que com malícia
Foge ao meu lábio em fogo ao absorver-lhe, tal
Um relâmpago, o íntimo frêmito carnal: 
Dos pés da desumana ao coração da tímida
Entregando de vez sua inocência, úmida
De lágrimas e de menos tristes vapores. 
"Meu crime foi, feliz de vencer os temores

Fingidos, apartar o tufo desgrenhado

De beijos, que os deuses guardavam bem trançado: 

Pois apenas fui ocultar um riso ardente

Entre as pregas sutis de uma delas (somente

Com um dedo a outro retendo, em seu candor de pluma, 

Tingida do fervor que acende a irmã, nenhuma

Vergonha enrubescendo a ingênua, ao ver agrados) 

De meus braços, por vagas mortes extenuados, 

Aquela presa, eterna ingrata, se livrava, 

Sem pena do soluço em que eu ébrio ofegava"

Tanto faz! que ao prazer outras me arrastem pelos
Chifres atados às pontas dos seus cabelos: 
Sabes, minha paixão, que purpúrea e madura
Cada romã explode e de abelhas murmura; 
E o nosso sangue, a quem o atrai, se dá sem pejo
E flui com todo o enxame eterno do desejo.


Na hora em que o bosque de ouro e de cinzas se esmalta
Na folhagem extinta uma festa se exalta: 
Etna! é sobre o teu chão, visitado por Vênus
Pousando em tua lava os brancos pés ingênuos, 
Quando ronca um som triste ou a chama se acalma. 
Agarro a deusa!


Ah, certo é o castigo...
Oh, não! a alma
De palavras vacante e este corpo indolente
Sucumbem ao torpor do meio-dia ardente: 
Quero agora dormir, a blasfêmia olvidar, 
E na areia jazendo, abrir a boca ao ar, 
Do astro do vinho haurindo os raios eficazes!


Ninfas, adeus; vou ver vossas sombras fugazes.

Frontispício do poema desenhado por Édouard Manet


l'Après-midi d'un faune de Lucien Lévy-Dhurmer, 1865-1953
(Collection M. de Grandseigne, Paris)

A tradução do poema foi retirada do seguinte site:



Prélude à l'Après-midi d'un Faune - Prelúdio à Tarde de um Fauno
(estreia da música em Paris dia 22 de dezembro de 1894 tocada pela Orchestre de la Société Nationale, regida pelo maestro e compositor Gustave Doret)

Música: Claude Debussy


« La musique de ce Prélude est une très libre illustration du beau poème de Mallarmé. Elle ne désire guère résumer ce poème, mais veut suggérer les différentes atmosphères, au milieu desquelles évoluent les désirs, et les rêves de l'Egipan, par cette brûlante après-midi. Fatigué de poursuivre nymphes craintives et naïades timides, il s'abandonne à un sommet voluptueux qu'anime le rêve d'un désir enfin réalisé : la possession complète de la nature entière. »  (Claude Debussy)

"A música deste Prelúdio é uma ilustração muito livre do belo poema de Mallarmé. Ela não deseja resumir este poema, mas quer sugerir as diferentes atmosferas, entre as quais evoluem os desejos, e os sonhos de Egipan, por esta escaldante tarde. Cansado de perseguir  ninfas medrosas e náiades tímidas, ele se abandona à máxima volúpia que anima o sonho de um desejo enfim realizado: a posse completa da natureza inteira."* (Claude Debussy)
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

L'après-midi d'un faune - A tarde de um fauno
(estreia do balé dia 29 de maio de 1912 no Théâtre du Châtelet em Paris)

Música: Claude Debussy
Coreografia: Vaslav Nijinsky
Figurino e cenário: Léon Bakst




O Fauno dançado por Rudolph Nureyev (1980)
----------------------------------------






O Fauno interpretado pela Universidade de Maryland


~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~





Partituras, gravações e mais palavras (em francês) sobre o Prelúdio à Tarde de um Fauno neste site:


*Minha tradução.